Além do Inbound: Como Eventos Corporativos Aceleram Grandes Negócios B2B

Enquanto muitas empresas concentram seus esforços em e-mails, ligações e reuniões online, outras estão construindo relacionamentos, aprendendo com o mercado e acelerando negócios nos lugares onde as decisões realmente acontecem.

Edgar MeanteLeonardo de Assis

Por Edgar Meante e Leonardo de Assis

21/07/2026, 10h00

negocios


Existe uma ideia que ainda domina muitas empresas: acreditar que o crescimento acontece apenas dentro do escritório, traduzido em mais e-mails, mais ligações, mais cadências e mais reuniões.

Essas práticas continuam sendo importantes e fazem parte de uma operação comercial estruturada. Afinal, a prospecção ativa, o relacionamento com clientes e o acompanhamento constante das oportunidades continuam sendo pilares de qualquer estratégia de vendas B2B. Mas existe uma pergunta que poucas empresas fazem: será que estamos buscando oportunidades nos lugares certos?

Enquanto algumas equipes passam dias tentando conquistar alguns minutos na agenda de um potencial cliente, outras estão fazendo exatamente o contrário: estão presentes nos ambientes onde essas conversas acontecem de forma muito mais natural. Foi essa uma das principais reflexões da conversa entre Edgar e Leonardo de Assis no podcast. Ao longo do episódio, eles mostram que participar de eventos corporativos vai muito além de visitar estandes ou assistir palestras. Trata-se de uma mudança de postura diante do mercado. Em outras palavras, empresas que crescem não esperam oportunidades. Elas criam oportunidades.

O mercado mudou. Sua estratégia acompanhou?

Durante muitos anos, vender era um processo relativamente previsível. Construía-se uma lista de contatos, enviavam-se e-mails, realizavam-se ligações, marcavam-se reuniões e, com consistência, os resultados apareciam. Hoje, o cenário é completamente diferente. Os compradores estão mais informados, as decisões envolvem mais pessoas e os ciclos de compra ficaram mais complexos. Além disso, executivos recebem diariamente dezenas de mensagens comerciais — boa parte delas sequer é aberta.

Isso não significa que o outbound deixou de funcionar. Significa apenas que ele precisa conviver com outras formas de gerar relacionamento. É justamente aí que entram os eventos corporativos. Quando duas pessoas se encontram presencialmente, a dinâmica muda completamente e a conversa deixa de ser uma abordagem fria para acontecer em um contexto muito mais humano. Antes de apresentar uma solução, compartilham-se experiências e constrói-se confiança, que continua sendo um dos fatores mais importantes em qualquer negociação B2B.

O mercado não acontece apenas dentro das empresas

Existe outro ponto interessante comentado por Leonardo: muitas organizações acabam olhando apenas para dentro. Passam meses discutindo processos internos, indicadores e planejamento estratégico. Tudo isso é importante, mas o mercado continua mudando do lado de fora. Enquanto uma empresa está fechada em reuniões, seus clientes enfrentam novos desafios, concorrentes surgem e tecnologias evoluem.

Quem permanece conectado apenas à própria realidade corre o risco de tomar decisões olhando pelo retrovisor. Participar de eventos é uma forma de reduzir essa distância. É sair do escritório para observar o mercado como ele realmente está acontecendo, conversando diretamente com quem vive aqueles desafios todos os dias.

Estar presente é uma estratégia de posicionamento

Quando uma empresa participa de um grande evento, ela não está apenas buscando clientes, está comunicando algo ao mercado: "Nós fazemos parte deste ecossistema, estamos atualizados e queremos conversar". Esse posicionamento gera percepção de valor, e percepção influencia negócios.

Pense em uma situação simples: você participa de um evento e encontra uma empresa em diferentes palestras, debates e compartilhando conhecimento. Dias depois, quando surge uma necessidade relacionada àquela área, qual empresa tende a ser lembrada? A lembrança de marca começa muito antes de uma proposta comercial; ela começa pela presença.

O movimento cria oportunidades que o CRM não prevê

Empresas que permanecem apenas na rotina acabam encontrando sempre as mesmas pessoas, visitando os mesmos clientes e frequentando os mesmos ambientes, deixando de enxergar novas possibilidades. O movimento rompe esse ciclo.

É quando uma empresa decide visitar uma feira de outro segmento, conhecer startups ou trocar experiências com profissionais que enfrentam desafios distintos, que a mágica acontece. É dessa diversidade que surgem novas ideias. Muitas das maiores oportunidades aparecem justamente onde ninguém estava procurando.

Networking não é distribuir cartões. É construir confiança.

Muitas empresas calculam o sucesso de um evento apenas pela quantidade de leads gerados, mas isso é enxergar apenas uma pequena parte do valor. Um evento serve para validar estratégias, observar tendências, descobrir tecnologias e fortalecer relacionamentos.

Durante muito tempo, fazer networking foi associado a trocar cartões de visita. Hoje sabemos que é sobre criar conexões genuínas e oferecer valor antes de fazer uma proposta. O melhor aprendizado, inclusive, muitas vezes está fora do palco. É durante um café que surgem conversas espontâneas e é no corredor que você descobre soluções que nunca havia considerado. Quando a burocracia do dia a dia dá lugar às conexões humanas, a barreira para iniciar um diálogo com um tomador de decisão despenca.

O melhor networking começa antes do evento

Quem espera chegar ao evento para começar a fazer networking já está atrasado. A maioria das grandes feiras e congressos disponibiliza aplicativos que permitem visualizar participantes e agendar reuniões com antecedência. Uma boa preparação deve incluir:

  • Definir prioridades: Mapear quais empresas são os alvos principais.
  • Identificar pessoas-chave: Saber quem são os palestrantes e participantes estratégicos.
  • Agendar com antecedência: Marcar reuniões antes mesmo do evento começar.
  • Estudar perfis: Entender o contexto das pessoas com quem você pretende conversar.
  • Estabelecer metas: Ter objetivos claros para cada encontro.

Esse planejamento transforma o evento em uma verdadeira extensão da estratégia comercial da empresa.

O ROI vai muito além e o trabalho continua no pós-evento

Mesmo que nenhum contrato seja assinado naqueles dias, o fortalecimento de marca, a inteligência de mercado adquirida e as conversas com potenciais parceiros fazem o investimento valer a pena. Mas atenção: existe uma etapa que costuma ser negligenciada — o pós-evento.

Voltar com dezenas de contatos é inútil sem um bom acompanhamento. O follow-up deve começar nos primeiros dias após o evento com mensagens personalizadas, conexões no LinkedIn e registros no CRM. O evento pode durar três dias, mas as oportunidades criadas ali geram resultados por meses ou anos.

Crescimento exige curiosidade e coragem

Empresas que crescem são aquelas que fazem perguntas, testam novos formatos e têm a coragem de explorar novos ambientes. Participar sempre dos mesmos eventos é confortável, mas a inovação costuma acontecer quando diferentes mercados começam a conversar entre si. O seu cliente ideal pode estar em um congresso de transformação digital completamente diferente do seu segmento.

No fim das contas, o mercado acontece onde as pessoas estão. Limitar uma estratégia comercial apenas a telas significa abrir mão de oportunidades reais. Grandes negócios raramente começam com uma proposta fria; eles começam com uma conversa e um aperto de mão. Porque as empresas que esperam as oportunidades chegarem tendem a seguir o ritmo do mercado. Já aquelas que escolhem estar presentes, ajudam a definir para onde ele vai.

Quer se aprofundar nessa discussão e parar de perder oportunidades?

Assista ao bate-papo completo entre Edgar Meante e Leonardo de Assis no nosso podcast e pegue todos os insights práticos sobre como se destacar e gerar conexões de alto valor nos grandes eventos de mercado.

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